domingo, 28 de agosto de 2011

Nabucco, Giuseppe Verdi, mia pátria si bella e perduta

Salut, mes chers amis !!


"Mia patria si bella e perduta", este verso da ária Va, pensiero, sull'ali dorate, da ópera Nabucco de Giuseppe Verdi, vem bem a calhar para este momento que nós, brasileiros, passamos, traduz perfeitamente este sentimento que nos invade. Quem quer que sejamos, italianos, franceses, americanos...atravessamos uma época difícil. O que nos salva ?


A arte, sempre, toujours !!


Sempre que ouço esta ária que é a terceira parte da ópera cantada pelos escravos hebreus na Babilônia fico emocionada.É tão linda que já cogitaram no passado de fazer dela o hino nacional italiano.
Resumidamente, a ação se passa uns 600 anos antes de Cristo durante o reinado de Nabucodonosor II que foi o responsável pela reconstrução da cidade de Babilônia considerada uma das 7 maravilhas do mundo. Depois de anos ele resolve conquistar a terra de Judá destruindo o templo de Salomão e fazendo numerosos prisioneiros que leva para a Babilônia como escravos.

Pois bem, queriods, vejam este link e assistam a um espetáculo especial, especialíssimo, comandado pelo maestro Riccardo Mutti.
Hoje, nos jornais O Globo e na Folha de Saõ Paulo, o jornalista Elio Gaspari comenta este fato dando o título de Oito minutos de história e poesia.

www.youtube.com/watch?v=the9_fs1Za0

Et en français, avec Nana Mouskouri:

http://www.youtube.com/watch?v=H34sUemjuw4&feature=related

sábado, 20 de agosto de 2011

"Meu" Colégio de Aplicação da UFRJ

Bonjour, mes amours ! Enfin, il pleut ! C'est bon d'entendre la pluie. C'est un cliché, je sais, je sais...mais...
Enfim, chove. Gosto muito quando não é exagerada e que serve para regar as árvores e tudo mais. Sei que é um cliché mas, é assim.
Escrevi um texto inspirada na coluna Gente Boa do Joaquim F. dos Santos, caderno B de O Globo. Outro dia, ele publicou vários relatos de pessoas que relembravam seus colégios, suas escolas...bem interessantes. Vieram-me à cabeça tantas lembranças. Boas, difíceis, complicadas... Algumas , então, me emocionam até hoje.
Escrevi então este texto abaixo que fala de um dos melhores colégios do Brasil e que atualmente passa por sérios problemas porque nosso governo não é sério, não se compromete com a educação de melhor nível para nossas crianças e adolescentes.Um desperdício de $. Como sempre gastam com o que é supérfluo mas que "aparece", traz votos dos mais alienados e despreparados.
Lembrei-me agora do $$$$$ que a Espanha gastou com a visita do Papa. Quel gaspillage !! E as pobres e infelizes crianças da África e do mundo, como aqui mesmo em Alagoas ( devem ter visto uma reportagem sobre os ainda desabrigados da última chuva torrencial. É de apertar o coração aquelas criancinhas e suas mães vivendo em promíscuas barracas...) esperando uma ajuda que tarda e que, infelizmente, todos sabemos, não vai chegar.


O Colégio (com maiúscula, é claro) como o meu Colégio de Aplicação da UFRJ , que na época em que lá estudei chamava-se ainda Colégio de Aplicação da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil permanecerá para sempre no coração da professora há 43 que sou. No cabeçalho que fazíamos todos os dias em todas as aulas, só o nome acima preenchia 2 ou 3 linhas, dependendo do tamanho da letra.
Foi lá que cursei o antigo Ginasial de 1962 a 1965, depois de um ano estudando em um curso de Admissão que se chamava Curso Goiás, que ficava na Rua Dias Ferreira, no Leblon, dos excelentes Major João Moraes e de sua esposa D. Cléa Moraes. O Major nos ensinava Matemática ( ai ai ai, como estudei, meu Deus ) e D. Cléa , Língua Portuguesa. Havia também o Major Paiva que nos ensinava Geografia. A idade não me deixa lembrar os nomes dos outros professores...
O que devo a este Colégio? Toda a benéfica influência na minha maneira de estudar, de pesquisar, a seriedade nos estudos, a vontade de persistir no aprendizado que não se esgota nunca. A admiração pelos professores cuja lembrança trago reconhecida no meu coração: Prof. Ella Dottori, Prof. Balina Bello Lima, Prof. Oswaldo de Assis Gomes, Prof. Sarita Konder, Prof. Roberto Ballalai, Prof. Oscar Martins Lopes, Prof. Maria Beatriz, Prof.Sueny,e tantos outros queridos. Saudades.
Era a época da ditadura militar. Nossos professores nos incitavam a discutir, a “ver” e “entender” o que se passava no nosso país. Eram discussões enriquecedoras. Como aprendíamos com esta liberdade de expressão que era negada nas ruas.
Sempre quis ser professora. Sempre. Desde menina, reunia minha irmã Carmen Regina e minhas coleguinhas e lhes “ensinava’, passava dever de casa, corrigia. E depois da quarta série ginasial, fiz concurso ( naquela prestava-se concurso) para entrar na Escola Normal Ignácio Azevedo do Amaral ( ENIAA) pois minha ansiedade para começar a lecionar era grande e também para começar a receber meu salário que entregava a minha mãe. Coisas do século passado...
Entretanto, senti muito ter saído do CAp. Sim, é verdade. A grande maioria dos meus amigos lá ficou e seguiram os cursos Clássico ( era o que eu queria ) ou o Científico. Aprendi bem cedo que não se pode ter tudo... no final de 3 anos na Escola Normal sairia professora municipal, e depois do Clássico no CAP, deveria ir para a universidade. Que acabei indo mais tarde pois não me bastava só e apenas o ensino médio. Queria mais e mais. Afinal minha adolescência, no meu CAp havia sido muito bem formada e encorajada a aprender sempre, a não me contentar com pouco, a me aprofundar, a buscar mais conhecimento... Agora, faltava-me continuar a estudar francês já que na ENIAA não havia esta disciplina e pagar a Alliance Française seria bem custoso para meus pais. Mas mesmo assim fui em frente. Na Alliance de Copacabana passei por um teste de nivelamento e fiquei no 4º ano literário. Que grande alegria ! Entretanto havia o detalhe do pagamento. Fiquei bem triste , conversei com o diretor na época e ele me disse que quem cursava a Escola Normal tinha 50% de desconto !!
Como disse acima, no CAp havia sido aluna da Prof. Balina Bello Lima. Só que...era péssima aluna. Não conseguia entender nada nas aulas. Mesmo com uma excelente professora. Minha mãe foi chamada pelo SOE e lhe explicaram que eu ia bem em todas as matérias mas que em francês eu precisaria da ajuda de uma professora particular. Foi aí que conheci a querida Prof. Laura Annette Ferreira de Moraes que me revelou a beleza desta língua da qual sou professora há mais de 40 anos. Fiz todo o curso na Alliance Française e os 3 exames de Nancy. Nesta época já era professora primária em Jacarepaguá. Uma experiência e tanto. Porém, continuava insatisfeita. Já havia terminado a Alliance. E agora ? Fui à PUC, apresentei-me com os 3 exames de Nancy que me deram direito a me matricular no curso de Letras !! Mais um pedaço do sonho realizado ! Cursar uma universidade. E a PUC-Rio !! Realmente me sentia bem feliz...até o dia em que chegou o carnet das mensalidades. Cada uma era mais cara que meu salário no Município do Rio de Janeiro. J’ai pris le courage à deux mains, como dizem os franceses e procurei o Reitor que na época, em 1971, era o Pe.Viveiros de Castro que me recebeu gentilmente. Eu apenas lhe mostrei o carnet e o meu contracheque. Ele ficou pasmo. E me concedeu bolsa de 70% !! Pronto, agora já estava no caminho de novo, no caminho que começou no meu CAp e me levou à Graduação, ao Mestrado e ao Doutorado
Ainda inspirada pelo assunto saudade/nostalgia, vamos ouvir nosso querido Charles Aznavour com a belíssima Hier encore
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