terça-feira, 15 de novembro de 2011

Fernando Pessoa, un de mes amours



Salut, mes amis !!
Estava posta em sossego como Inês de Castro...(Nossa, Deus me livre, preciso ver meus netos todos crescerem, ensinar-lhes sobre meus amores, além deles e dos pais deles)
Quando me lembrei deste texto do poeta dos poetas portugueses: Texto este que deveria ser repetido todos os dias como um mantra:

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um não. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."



Agora, em italiano, certamente !

Posso avere difetti
vivere ansioso
ed essere irritato alcune volte
ma non dimentico che la mia vita
è la più grande impresa del mondo.
E che posso evitare
che giunga al fallimento.
Essere felice
è riconoscere
che vale la pena vivere
nonostante tutte le sfide,
incomprensioni e periodi di crisi.
Essere felice
è smettere
di essere vittima dei problemi
e divenire autore
della propria storia.
È attraversare deserti
fuori da sé
ma essere capaci
di incontrare un'oasi
nel recondito della propria anima.
È ringraziare Dio
ogni mattina
per il miracolo della vita.
Essere felice
è non avere paura dei propri sentimenti.
È saper parlare di sè stessi.
È avere il coraggio di sentire un no.
È avere la sicurezza
di ricevere una critica,
anche se ingiusta.
Pietre sul cammino?
Le conservo tutte,
un giorno costruirò un castello...


Et, bien sûr, en français

Le bonheur exige la bravoure
Je peux avoir des défauts, vivre dans l’anxiété et être énervé parfois,
mais je n’oublie pas que ma vie est la plus grande entreprise du monde
et je peux éviter qu’elle courre à la faillite.
Être heureux c’est reconnaître que ça vaut la peine de vivre
malgré tous les défauts, incompréhensions et moments de crise.
Être heureux c’est arrêter d’être submergé par les problèmes
et être l’auteur de sa propre histoire.
C’est traverser des déserts en dehors de soi,
mais être capable de découvrir une oasis au plus profond de son âme.
C’est remercier Dieu chaque matin pour le miracle de la vie.
Etre heureux c’est ne pas avoir peur de ses propres sentiments.
C’est savoir parler de soi-même.
C’est avoir du courage pour accepter un « non ».
C’est garder son assurance face à la critique, même injuste.
Des pierres sur mon chemin ?
Les garder toutes, un jour j’en ferai un château.

domingo, 13 de novembro de 2011

Une fois Flamengo, toujours Flamengo

http://www.youtube.com/watch?v=1GKJETpOaaU&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=yPLGBeoZkiE
http://www.youtube.com/watch?v=H-AHkbkI9S4

Bonsoir, mes amours !
Aujourd'hui, l'équipe de Flamengo a perdu le match. On ne gagne pas toujours un match.C'est dur d'expliquer cela à mes petits-enfants. Mes fils ne sont pas des supporters fanatiques, Dieu merci, mais restent tristes quand même...

Hoje, o Flamengo perdeu o jogo e o Rio ficou mais triste, assim como meus filhos e netinhos. É difícil explicar aos meus netinhos que não é sempre que se ganha.E que não é por isso que vamos deixar de torcer e gostar do time.Quando crescerem mais, vamos lhes explicar que amor é incondicional.Você não gosta de alguém só porque é um vencedor, um bem sucedido, pela beleza externa, pelo $, etc etc etc. A gente aprecia e ama estar perto quase sempre pelas qualidades.Às vezes, é atração mesmo e aí fica perigoso, n'est-ce pas ? Mas para isso tem tempo, muito tempo.
Para lhes alegrar, resolvi cantar o hino do Flamengo em francês:
Uma vez Flamengo Une fois Flamengo
Sempre Flamengo Toujours Flamengo
Flamengo sempre eu hei de ser Flamengo toujours je serai
É o meu maior prazer C'est mon plus grand plaisir
Vê-lo brilhar Le voir briller
Seja na terra Soit à la terre
Seja no mar Soit à la mer
Vencer, vencer, vencer Gagner, gagner, gagner
Uma vez Flamengo Une fois Flamengo
Flamengo até morrer Flamengo jusqu'à la mort
Flamengo
Flamengo
Sempre Flamengo
Flamengo sempre eu hei de ser
É o meu maior prazer
Vê-lo brilhar
Seja na terra
Seja no mar
Vencer, vencer, vencer
Uma vez Flamengo
Flamengo até morrer
Na regata ele me mata Dans la régate, il me tue
Me maltrata, me arrebata Me fait souffrir,me ravit
Que emoção no coração Quelle émotion dans mon coeur
Consagrado no gramado Consacré au gazon
Sempre amado Toujours aimé
O mais cotado Le plus coté

No "Fla-Flu" é o "Ai, Jesus" Au Fla-Flu, c'est le " Ah, mon Dieu "
Eu teria um desgosto profundo J'aurais une immense tristesse
Se faltasse o Flamengo no mundo S'il manquait le Flamengo au monde
Ele vibra, ele é fibra Il vibre, il est fibre
Muita libra já pesou beaucoup de livres il a déjà pesé
Flamengo até morrer eu sou Flamengo jusqu'à la mort
É, eu sou Oui, je le suis

E agora o "hino" que a "galera" canta nas arquibancadas com a melodia do Tema da Vitória que o maestro Eduardo Souto Neto fez para Ayrton Senna:

Tu és time de tradição Tu es équipe de tradiction
Raça, amor e paixão volonté,amour et passion
Oh, meu Mengo Oh, mon Mengo
Eu sempre te amarei Toujours je t'aimerai
Onde estiver estarei Où tu seras je serai
Oh, mon Mengo Oh, mon Mengo

E nunca é demais rever este gol antológico do grande PET !!!

http://www.youtube.com/watch?v=b-TrWkAw5f0&feature=related

sábado, 12 de novembro de 2011

Arte sempre salvadora

Salut, les amis !!Esta semana passei por uma experiência um tanto triste /frustrante para um(a) professor(a).É um hábito meu e acredito da maioria dos meus colegas exigir atenção, participação e disciplina, condições entre as principais para o aprendizado. D'accord ? Adoro conversar com meus alunos, antes, durante e depois da aula, são inteligentes, atualizados,engraçados, bom demais, mas...
Já até comentei com as turmas que se eu contasse quantas vezes digo: " Prestem atenção, é importante !" nem sei a que número chegaria.Fazê-los aprender e descobrir toda a beleza da língua francesa é uma tarefa que julgo essencial para minha realização como professora.
Durante estes quase 44 anos de sala de aula, não tenho certeza, in-fe-liz-men-te, se consegui fazer com que meus alunos estudassem para aprender, para assimilar toda a harmonia e excelência da língua francesa, para tornarem-se cultos e NÃO para se dar bem na prova.
Lecionar na minha universidade, na que considero minha segunda casa que é a PUC-Rio,me proporciona um grande prazer.Sempre. Entretanto há tempos venho disputando, é isso, disputando com estes aparelhinhos infernais quando não usados na hora certa. A atenção e o comprometimento dos alunos me está escapando pelos Blackberry, Tablets, I-PAD, I-Phone, e outros ai ai ai...fora a conversa paralela e o desinteresse. Pois é, amigos queridos, é isso que aconteceu e me fez chorar na última quarta-feira.
A falta de um retorno, entendem ?
Poucos são aqueles que se interessam de verdade,que pedem livros ou filmes extras,que fazem perguntas, que questionam, que estudam em casa, fazem os deveres pedidos, que ao menos olham e leem com real interesse os e-mails que lhes envio com avisos importantes,com as músicas cantadas em aula...Nesta quarta, depois de insistentemente repreendê-los por tudo isso , uma aluna falou "desapega, professora !" e outro me disse que já estava ficando chato eu brigar com a turma a todo momento, que eles são universitários ( !!!!), que estão cansados de tantas provas das outras disciplinas, etc etc etc.
Simplesmente, não reagi como uma pessoa amadurecida,a resposta não veio fácil e afinal são 61 anos, e chorei. Fui tomada por um sentimento de...nem sei como descrever, um sentimento de imensa decepção,de fracasso talvez.
Qual é a saída ? Insistir ? Desapegar ? Fingir que não houve nada ?
Para não pensar mais, tentar me desligar, eis que me deparo com esta dádiva de reportagem sobre Leonardo da Vinci do Le Figaro que compartilho com vocês. A arte sempre salvadora,que nos protege e nos tira deste desânimo.

http://www.lefigaro.fr/culture/2011/11/05/03004-20111105ARTFIG00030-leonard-de-vinci-les-secrets-d-un-genie.php

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Um lindo elogio à língua francesa

Sabendo francês podemos ser mais felizes - cultura - Estadao.com.br
www.estadao.com.br
Ignácio de Loyola Brandão - O Estado de S.Paulo

Não me considerem esnobe, exibido. Mascarado, como se dizia na minha infância. Não usam mais a palavra? Tão atual. O que há de gente mascarada no mundo. Vou dizer o óbvio. Para desfrutar melhor Paris, a Provence celebrada, e outros, sabendo francês, os prazeres multiplicam-se por cem, o desfrute por duzentos, a alegria por quinhentos. Mesmo que você tenha ido apenas para fazer compras, como a maioria dos brasileiros, que pedem descontos em português mesmo e em altos brados (ou em brado retumbante), vale a pena aprender francês.


O parisiense muda quando você se dirige a ele na sua língua, ainda que precariamente, como eu. Quem não gosta de uma pessoa que chega e você percebe o esforço que ela faz para se expressar em sua língua natal? Assim, vale a pena aprender francês para poder caminhar à vontade em Paris deixando-se envolver por ela, sabendo um pouco mais.

Claro, o francês não é importante apenas por isso. Mas já é um enorme handicap. Há as revistas, os milhares de livros traduzidos do mundo inteiro, o cinema, a música, até a facilidade nas compras. Só poder ler a gigantesca coleção La Pléiade (projeto de uma vida) no original é uma bênção, raras vezes igualada. Ou os fólios, delicados, sensuais? Hoje estamos aprendendo apenas o que o mercado chama de línguas úteis, como o inglês, o japonês, o mandarim. Mandarim? (Eu lá quero falar chinês?) Para vencermos na vida? Nos tornarmos empreendedores? Sermos alguém? Mas o que é ser alguém? Tudo tem de ter aplicação prática? Se é assim, acabemos com o ensino brasileiro, ele não leva a nada, do jeito que está estruturado.

Há na nossa vida algo que é preciso preencher. Uma necessidade interior de espírito, contemplação do mundo, da vida, avaliação das coisas. Encarar a existência como algo que precisa de alimento. Foram eliminando as línguas de todos os cursos, a não ser alguns muito especializados. Tive no ginásio português, inglês, francês, latim e espanhol e posso dizer que isso me ajudou. Mas vieram deletando tudo, como se diz. E o francês se foi por meio de ministros que só pensam em política. O atual quer a Prefeitura de São Paulo, imaginem. Nem administrou direito o Enem.

A primeira palavra que aprendi em francês foi: nous. Estava no primeiro ano do ginásio. Tínhamos aulas de francês desde o primeiro dia com mademoiselle Fanny, uma graça de pessoa. Perguntamos: "Por que a senhora começou com o nous, que significa nós, e não com o je, que quer dizer eu?" Ela sacudiu o dedo: "O nous somos todos, é o coletivo, a classe. O je é muito individualista." Esses eram os professores que tínhamos. Jamais dona Fanny falou em português na aula. Nos virávamos para saber o que ela queria dizer. Ela sabia conduzir a lição, de maneira que descobríamos os significados e as pronúncias às vezes sutis do francês, língua tão poética, sensível, cheia de nuances, e ao mesmo tempo incisiva. Dificuldades terríveis para diferenciar Anne (Ana) de âne (asno). A professora insistia, queria a perfeição. Nesta minha idade, penso, dia desses entrar para a Aliança Francesa a fim de aperfeiçoar minha precariedade.

Donna Fanny ainda está lá em Araraquara. Até algum tempo atrás, quando eu a encontrava na rua, ela me dizia, como sempre disse ao entrar na classe:

- Bonjour, mon enfant!

- Bonjour, madame.

- Mademoiselle, mademoiselle...

Ria, afetuosa. Aos 14 anos estávamos lendo Alexandre Dumas no original. Não era fácil, mas a gente acabava gostando, se imaginava na França. Também Victor Hugo, Lamartine, Chateaubriand, depois Balzac, Flaubert, Stendhal. Hoje chegaríamos a Le Clézio, Houellebecq, Jonathan Littell, Georges Perec. Aos 16 tivemos acesso a Jaques Prévert, que deslumbramento! A poesia entrava em nós por meio de Aragon, Paul Valéry, Verlaine, e, claro Rimbaud e Baudelaire, o maldito. Também Céline, complicado, Camus, os romances de Sartre, um pouco de Proust (eu mantinha a tradução do Quintana do lado). Toda semana, nos anos 50, havia um filme francês no cinema. Fanny insistia para que fôssemos. Não era exigir muito, sabíamos que algumas estrelas francesas como Martine Carol, Claudine Dupuis e Françoise Arnoul mostravam os peitinhos, era um avanço na nossa vida sexual. Mas havia Arlety, Edwige Feuillère, Maria Casarés, soberbas. E Gerard Philippe, jamais substituído. Hoje minhas paixões são Juliette Binoche, Irene Jacob, Marion Cotillard. Por outro lado, descobrimos os filmes de Marcel Carné, de René Clair, André Cayatte, Jean Delannoy, Robert Bresson, clássicos. Depois, digerimos toda nouvelle vague, que mudou a linguagem do cinema.

Nós, que aprendemos francês, tivemos sempre algo mais dentro de nós. De coisas pequenas e grandes. Não estou aqui para fazer lista e apenas para insistir numa coisa muito simples: sabendo francês, sempre me senti um pouco mais feliz na vida. Uma delas foi ouvir, recentemente, do garçom de um bistrô; "Monsieur, vous êtes du quartier?" (O senhor é do bairro?) Que, como Eros Grau diz em um livrinho delicioso sobre Paris, é um sinal de que você está sendo aceito. Coisa nada fácil para um estrangeiro. Que volte o francês às escolas!

Sabendo francês podemos ser mais felizes

Sabendo francês podemos ser mais felizes - cultura - Estadao.com.br
www.estadao.com.br
Ignácio de Loyola Brandão - O Estado de S.Paulo

Não me considerem esnobe, exibido. Mascarado, como se dizia na minha infância. Não usam mais a palavra? Tão atual. O que há de gente mascarada no mundo. Vou dizer o óbvio. Para desfrutar melhor Paris, a Provence celebrada, e outros, sabendo francês, os prazeres multiplicam-se por cem, o desfrute por duzentos, a alegria por quinhentos. Mesmo que você tenha ido apenas para fazer compras, como a maioria dos brasileiros, que pedem descontos em português mesmo e em altos brados (ou em brado retumbante), vale a pena aprender francês.


O parisiense muda quando você se dirige a ele na sua língua, ainda que precariamente, como eu. Quem não gosta de uma pessoa que chega e você percebe o esforço que ela faz para se expressar em sua língua natal? Assim, vale a pena aprender francês para poder caminhar à vontade em Paris deixando-se envolver por ela, sabendo um pouco mais.

Claro, o francês não é importante apenas por isso. Mas já é um enorme handicap. Há as revistas, os milhares de livros traduzidos do mundo inteiro, o cinema, a música, até a facilidade nas compras. Só poder ler a gigantesca coleção La Pléiade (projeto de uma vida) no original é uma bênção, raras vezes igualada. Ou os fólios, delicados, sensuais? Hoje estamos aprendendo apenas o que o mercado chama de línguas úteis, como o inglês, o japonês, o mandarim. Mandarim? (Eu lá quero falar chinês?) Para vencermos na vida? Nos tornarmos empreendedores? Sermos alguém? Mas o que é ser alguém? Tudo tem de ter aplicação prática? Se é assim, acabemos com o ensino brasileiro, ele não leva a nada, do jeito que está estruturado.

Há na nossa vida algo que é preciso preencher. Uma necessidade interior de espírito, contemplação do mundo, da vida, avaliação das coisas. Encarar a existência como algo que precisa de alimento. Foram eliminando as línguas de todos os cursos, a não ser alguns muito especializados. Tive no ginásio português, inglês, francês, latim e espanhol e posso dizer que isso me ajudou. Mas vieram deletando tudo, como se diz. E o francês se foi por meio de ministros que só pensam em política. O atual quer a Prefeitura de São Paulo, imaginem. Nem administrou direito o Enem.

A primeira palavra que aprendi em francês foi: nous. Estava no primeiro ano do ginásio. Tínhamos aulas de francês desde o primeiro dia com mademoiselle Fanny, uma graça de pessoa. Perguntamos: "Por que a senhora começou com o nous, que significa nós, e não com o je, que quer dizer eu?" Ela sacudiu o dedo: "O nous somos todos, é o coletivo, a classe. O je é muito individualista." Esses eram os professores que tínhamos. Jamais dona Fanny falou em português na aula. Nos virávamos para saber o que ela queria dizer. Ela sabia conduzir a lição, de maneira que descobríamos os significados e as pronúncias às vezes sutis do francês, língua tão poética, sensível, cheia de nuances, e ao mesmo tempo incisiva. Dificuldades terríveis para diferenciar Anne (Ana) de âne (asno). A professora insistia, queria a perfeição. Nesta minha idade, penso, dia desses entrar para a Aliança Francesa a fim de aperfeiçoar minha precariedade.

Donna Fanny ainda está lá em Araraquara. Até algum tempo atrás, quando eu a encontrava na rua, ela me dizia, como sempre disse ao entrar na classe:

- Bonjour, mon enfant!

- Bonjour, madame.

- Mademoiselle, mademoiselle...

Ria, afetuosa. Aos 14 anos estávamos lendo Alexandre Dumas no original. Não era fácil, mas a gente acabava gostando, se imaginava na França. Também Victor Hugo, Lamartine, Chateaubriand, depois Balzac, Flaubert, Stendhal. Hoje chegaríamos a Le Clézio, Houellebecq, Jonathan Littell, Georges Perec. Aos 16 tivemos acesso a Jaques Prévert, que deslumbramento! A poesia entrava em nós por meio de Aragon, Paul Valéry, Verlaine, e, claro Rimbaud e Baudelaire, o maldito. Também Céline, complicado, Camus, os romances de Sartre, um pouco de Proust (eu mantinha a tradução do Quintana do lado). Toda semana, nos anos 50, havia um filme francês no cinema. Fanny insistia para que fôssemos. Não era exigir muito, sabíamos que algumas estrelas francesas como Martine Carol, Claudine Dupuis e Françoise Arnoul mostravam os peitinhos, era um avanço na nossa vida sexual. Mas havia Arlety, Edwige Feuillère, Maria Casarés, soberbas. E Gerard Philippe, jamais substituído. Hoje minhas paixões são Juliette Binoche, Irene Jacob, Marion Cotillard. Por outro lado, descobrimos os filmes de Marcel Carné, de René Clair, André Cayatte, Jean Delannoy, Robert Bresson, clássicos. Depois, digerimos toda nouvelle vague, que mudou a linguagem do cinema.

Nós, que aprendemos francês, tivemos sempre algo mais dentro de nós. De coisas pequenas e grandes. Não estou aqui para fazer lista e apenas para insistir numa coisa muito simples: sabendo francês, sempre me senti um pouco mais feliz na vida. Uma delas foi ouvir, recentemente, do garçom de um bistrô; "Monsieur, vous êtes du quartier?" (O senhor é do bairro?) Que, como Eros Grau diz em um livrinho delicioso sobre Paris, é um sinal de que você está sendo aceito. Coisa nada fácil para um estrangeiro. Que volte o francês às escolas!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Le miracle du visage de l' autre

Salut, les amis !! Vous allez bien ?
Je suis en train de voir un film avec mes élèves de conversation et cinéma: Les femmes du 6e étage. vraiment plein d'humanisme. C'est tellement bon de voir d'excellents acteurs dans un scénario qui parle d'un sujet tant oublié:"pour échapper à la tragédie du petit Moi de l'individu, il y a le miracle du visage de l'autre". C'est une phrase d'Emmanuel Levinas qui va à perfection avec ce beau film.
Queridos, estou vendo com minha turma de conversação e cinema das terças à noite um filme que aconselho pelo seu humanismo: Les femmes du 6e étage ou As mulheres do sexto andar.É tão bom ver o trabalho excelente de grandes atores em um roteiro que nos fala de um assunto tão esquecido:"para escapar à tragédia do pequeno Eu do indivíduo, há o milagre do rosto do outro". É uma frase de Emmanuel Lévinas que casa perfeitamente com este belo filme. Lembro-me de uma frase de São Francisco de Assis, meu guru, em que ele diz naquela oração ( que, entretanto, estranhamente, não consta na tradução em português): c'est en s'oubliant qu'on se retrouve. Quer dizer:" é se esquecendo que a gente se encontra". Quando você deixa de pensar só em si e nas suas coisas e olha de verdade para o outro você realmente encontra seu caminhop, se orienta verdadeiramente e ... até feliz.Deem uma olhadinha:

http://www.youtube.com/watch?v=ppH4MBsVTKU